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Viagem do presidente eleito aos EUA em 1967. Embaixador Gordon ao fundo. |
Havia temor de que o futuro presidente instalasse uma ditadura militar.
CONJUNTURA
Costa e Silva, ministro da Guerra do marechal Castello Branco, havia se imposto como candidato a sua sucessão. O próprio presidente Castello Branco e seu principais assessores não o viam com bons olhos - julgavam-no despreparado.
No dia 17 de fevereiro de 1966, Costa e Silva havia voltado de uma viagem ao exterior e foi recebido por muitos entusiastas de sua candidatura no Aeroporto do Galeão.
Os principais assessores de Castello Branco, os generais Ernesto Geisel e Golbery do Couto e Silva, aconselharam o presidente a agir no sentido de impedir que Costa e Silva se tornasse presidente. Eles achavam que o ministro implantaria um regime definitivamente ditatorial e militarista - que não supunham caracterizar o governo de Castello Branco.
SOBRE DOCUMENTO
No dia 16, o embaixador norte-americano, Lincoln Gordon, havia se encontrado com o ministro das Relações Exteriores, Juracy Magalhães (famoso por sua frase "O que é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil"), com o qual teve uma conversa - que relatou, no dia 18, ao Departamento de Estado.
O telegrama se intitula "Brazilian Presidential Succession". Ele está na caixa 1937 do fundo documental (record group) 59 chamado "Central Foreign Policy Files 1964-1966".
Leia abaixo a tradução do telegrama e veja, mais abaixo, a foto do documento original.
TRADUÇÃO
1. O ministro das Relações Exteriores, Juracy Magalhães, me
disse quarta-feira à tarde que teve uma longa conversa política com o presidente
Castello Branco na terça-feira antes da partida do presidente para Brasília. A
razão para a conversa foi que vários assessores próximos do presidente,
incluindo os generais Golbery e Geisel, tinham pedido a ele que reagisse agora
contra a candidatura de Costa e Silva, na medida em que, permitir que sua
campanha prossiga e prospere, certamente o levaria a se tornar presidente e
isso, por sua vez, significaria uma ditadura militar no Brasil.
2. Juracy disse que, ao passo que também não gosta de Costa
e Silva como possível presidente – e acha que seria desejável encontrar um
homem com maiores qualificações –, ele discorda totalmente da recomendação
acima. Ele acredita que o fato de Castello Branco tomar medidas concretas para
evitar uma candidatura de Costa e Silva criaria divisões nítidas dentro das
Forças Armadas com consequências potencialmente desastrosas. Embora a maioria
do corpo de oficiais favorecesse Castello Branco sobre Costa e Silva em
qualquer confronto direto sobre outras questões, muitos dos apoiadores de
Castello Branco resistiriam e se oporiam a um veto presidencial à candidatura
de Costa e Silva.
3. Juracy disse que, há algumas semanas, ele havia tentado a
possibilidade de estimular a candidatura de Roberto Campos, mas havia
encontrado resistência tanto em círculos políticos quanto militares. A opinião geral
era que, apesar dos extraordinários talentos e habilidades de Campos, ele não era
uma figura politicamente popular e também não teria o apoio coeso das Forças
Armadas que o próximo presidente deve desfrutar.
4. De tudo isso, Juracy não concluiu que Costa e Silva necessariamente
se tornaria presidente, mas achava que o enfraquecimento de suas perspectivas
teria de depender de seus próprios possíveis erros, por ação ou omissão, nas
próximas semanas, depois de seu retorno ao Brasil ontem. Juracy também rejeitou
a noção de que Costa e Silva se tornaria necessariamente um ditador militar.
Ele está preocupado com o temperamento impetuoso de Costa e Silva e acha que,
em um confronto com o Congresso, seus impulsos podem ser o de fechar o
Congresso. Por outro lado, Costa e Silva não assumiu de forma consistente
posições duras, mas serviu como uma espécie de intermediário entre o presidente
e a linha dura e mostrou um grande respeito pelas formas e práticas
democráticas. Juracy sentiu que era perfeitamente possível deixar claro que o
apoio a sua candidatura significava apoiá-lo como presidente constitucional,
mas não apoiá-lo pessoalmente em quaisquer propostas precipitadas que ele
pudesse em última análise considerar empreender. De fato, Juracy disse que
esperaria que Costa e Silva desejasse atuar como presidente constitucional, resultando
o perigo de ações ditatoriais mais de seu temperamento do que de quaisquer
desejos enraizados de estabelecer uma ditadura ou comandá-la.
5. Juracy disse que o presidente Castello Branco sinalizou
concordância com as visões que ele havia apresentado.
Gordon
O DOCUMENTO
IMPORTANTE: O DOCUMENTO AQUI REPRODUZIDO, OUTRORA CLASSIFICADO COMO "SECRET", FOI DESCLASSIFICADO PELA AUTORIDADE NORTE-AMERICANA PERTINENTE CONFORME NND 959000
IMPORTANTE: O DOCUMENTO AQUI REPRODUZIDO, OUTRORA CLASSIFICADO COMO "SECRET", FOI DESCLASSIFICADO PELA AUTORIDADE NORTE-AMERICANA PERTINENTE CONFORME NND 959000
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